Considerado o segundo tipo de câncer hematológico mais frequente, atrás somente do linfoma não-Hodgkin, o mieloma múltiplo ainda é pouco conhecido. Com o intuito de fornecer mais esclarecimentos sobre esta doença para a população, o Plano Pam Saúde, o Instituto Oncoguia, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) promovem de 18 a 23 de setembro, a Semana de Conscientização do Mieloma Múltiplo nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro, Bragança Paulista, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte, sob o tema: “Se você não suspeitar, não vai diagnosticar”.

Na capital mineira, a mobilização acontece no próximo domingo (23/09) na Feira Hippie, na avenida Afonso Pena, próximo ao Parque Municipal. Pacientes que estão em tratamento ou já tiveram mieloma múltiplo irão abordar as pessoas e distribuir material informativo, além de especialistas que darão esclarecimentos sobre o tema. “Esta Semana tem o intuito de alertar à população sobre uma doença que tem sintomas que podem ser facilmente mascarados, como dores nas costas e anemia. Muitas pessoas convivem com a doença sem saber. Por isso, quando é diagnosticada, costuma estar em estado bem avançado”, comenta a presidente da IMF, Christine Battistini.

Por ser um câncer da medula óssea complexo, o mieloma múltiplo aparece no organismo quando se detecta o crescimento descontrolado de células plasmocitárias que atacam e destroi o osso. Embora os idosos sejam os mais atingidos, pessoas jovens também podem contrair essa doença, principalmente pacientes que já apresentaram anemia. Somente no Brasil, são estimados 17 mil casos por ano, de acordo com um estudo feito pela IMF.

Segundo especialistas, trata-se de um tipo de câncer que atinge os plasmócitos – células produtoras dos anticorpos imunoglobulinas. Ele não se apresenta na forma de tumores ou nódulos, suas células ficam espalhadas pela medula óssea. Normalmente elas representam menos de 5% da composição da medula. Quando a pessoa tem mieloma, os plasmócitos crescem em número superando os 20% do total das células da medula óssea, podendo chegar a até 90%.

Tratamento

Mieloma Múltiplo

Nos últimos dez anos houve um grande avanço no tratamento com novas drogas e novos protocolos terapêuticos. “O mieloma múltiplo é uma doença do sangue que ainda não tem cura, mas hoje pode ser controlada por vários anos”, ressalta o médico hematologista e presidente da ABHH, Dr. Carmino Antonio de Souza.

Segundo o especialista o uso combinado de drogas é a melhor alternativa disponível no mundo para proporcionar qualidade de vida e alongamento da sobrevida dos pacientes. Atualmente, 70% dos pacientes brasileiros são tratados com quimioterapia convencional, em que são usadas diversas combinações de medicamentos. O transplante de medula é realizado em 25% dos pacientes, e 5% não faz tratamento.