Instrumento importante de enfrentamento à gripe (Influenza A), a vacina contra a doença passa a ser produzida integralmente no Brasil a partir de 2015. De acordo com o Ministério da Saúde, serão produzidas 44 milhões de doses e a economia será R$ 225 milhões por ano. Como uma forma de teste para esta nova demanda, o Instituto Butantã, no Rio de Janeiro, produziu 15% do total aplicado durante a campanha de vacinação deste ano. O restante das doses veio do laboratório francês Sanofi Pasteur que, recentemente, transferiu para o Brasil a tecnologia usada para a fabricação.

“A produção do medicamento no Brasil representa uma segurança maior para os pacientes e nos dará autonomia para a campanha de vacinação que é feita com o objetivo de diminuir o risco de ter doença grave e evitar mortes, uma vez que a mutação viral é muito frequente. Mesmo assim, as pessoas que apresentarem os sintomas de gripe devem procurar o posto de saúde, porque tem tratamento”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo o Ministério da Saúde e o Cbas 2016 Saúde, a vacina contra os vírus da gripe é composta de cepas virais inativadas, purificadas e cultivadas em células de embrião de ovo de galinha. A vacina – que tem uma duração de imunização por 12 meses, atua de modo a ensinar o sistema imunológico a concentrar suas forças para um contra-ataque rápido. Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina protege as pessoas contra as cepas A/Califórnia/7/2009 (H1N1) pdm09; Influenza A/Victoria/361/2011 (H3N2) e Influenza B/Wisconsin/1/2010 1.

Para se evitar a gripe é necessário lavar as mãos frequentemente com água e sabão, principalmente após tossir ou espirrar. Outros cuidados também são importantes: ao tossir e espirrar, deve-se cobrir a boca com a parte interna do braço, além de evitar o compartilhamento de alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. Outra recomendação é evitar ao máximo ambientes fechados e/ou com aglomeração de pessoas.

Diagnóstico

medico atendendo

Apesar de Minas Gerais não produzir a vacina contra a gripe, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) é a responsável no Estado pela análise de amostras de suspeitas de Influenza. Até a presente data, a Funed processou 1.592 amostras suspeitas de Influenza, tendo confirmado 117 casos. O número já é superior ao analisado no mesmo período em 2012 (978 amostras e 25 confirmações), e a expectativa é de que ele aumente ainda mais com o inverno. Somente neste ano, até 16 de junho, 12 pessoas já morreram em Minas Gerais, a maioria (11 pessoas), do tipo Influenza A. Apenas um caso foi causado pelo Influenza B.

“O exame não é realizado em nenhum outro laboratório para a rede pública de saúde estadual, apenas na Funed. Para 2013, estamos nos adaptando para analisar 12 mil amostras somente até setembro, ou seja, quase quatro vezes mais do que o que normalmente realizamos”, explica a referência técnica do Laboratório de Sarampo, Rubéola e Vírus Respiratórios da Funed, Ana Luisa Furtado Cury.

Seguindo o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico de Influenza, o exame realizado na Funed é o RT-PCR em tempo real e não a sorologia “A amostra padronizada para este tipo de exame é a secreção naso/orofaríngea e não sangue. O objetivo do exame é detectar a presença do vírus, e, para isso, utiliza-se uma amostra do trato respiratório”, finaliza Ana Luisa.